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sábado, dezembro 30, 2006

Ciclos (um cantinho na minha mala)

O ano civil termina para dar lugar a um outro. O ano litúrgico iniciou-se recentemente, com o advento, e o ano judicial já teve o seu início em Setembro. Ciclos.


"Que o novo ano te traga clareza nas decisões que tens que tomar". Foi com esta frase que me despedi de Lisboa. O amigo P., companheiro mais velho e experiente nas lides da vida, assim mo disse do alto dos seus 42 anos. Assim desejo. Faço a mala com o indispensável para três dias naquela casinha branca de molduras amarelas junto ao mar. 3 dias com aquelas pessoas tão especiais que se me entranharam na existência há anos atrás para não mais partirem. Entre a roupa, o calçado e dois livros guardo um espaço especial. É para a riqueza que transporto comigo. A riqueza do teu sorriso, das tuas palavras. São tão reais que o coração não chega: têm que ter um espaço na mala. Perdoa-me se vou e porque vou. Sabes que és a ausência sentida e de todas a menos merecida. Ausência meditada. Numa praia do Sul. Todos estarão aos saltos entre música, abraços e telefonemas. Eu estarei contigo ali, de corpo gelado pelo toque do mar. Os lábios rezando o teu nome, feito noviço que enverga o hábito branco imposto pela lua. Sabes que parto frágil. Sabes que regressarei forte (assim o espero). Forte e determinado. A dar-te mais do que um cantinho na minha mala.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Febril


O mundo vibra. Estremece com o frio que desce e que se infiltra entre sopros de vento. Mas move-se. Agita-se e esperneia. Todos na sua direcção, que não sabem qual é. Movem-se. E eu não. O corpo permanece inerte, preso pela raízes que já criou no colchão. A febre consome o ser e não me deixa sair desta cama que se me colou. Podia dizer-te que os lábios ardem de beijos mas que apenas beijam o ar neste quarto isolado. Não digo. Hoje não sou capaz. A dor que me pisa o corpo não mo permite. Hoje prefiro avaliar a temperatura do chá de limão. A textura mole do mel grudado no céu da boca. Afasta-te e deixa-me só. Deixa-me sentir o fogo que me devora os olhos por baixo das pálpebras cerradas. Deixa-me ser criança e lamuriar as minhas dores. Saborear o ardor da febre num extâse transcendental. Até que regresses. Com mais um chá quente e um beijo na testa.

(Imagem: "O Sonho", por Frida Kahlo)

domingo, dezembro 24, 2006

Mariah Carey - All I Want For Christmas Is You

Sei que não vais ver este post porque nem sequer sabes que tenho um blog, o que torna tudo ainda mais engraçado =)
É que hoje vinha a conduzir com o carro cheio dos sacos com as comprinhas de Natal, tentando não fazer muitos estragos nos embrulhos com as curvas e ouvi esta música. E é tão assim: "all I want for Christmas is you"...
Por isso, um NATAL MUITO FELIZ para ti... e para toda a blogosfera (à família e amigos dou os votos pessoalmente)!!!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Saudade...

... acho que todos a sentimos no Natal. Aquela cadeira vazia em que gostava que te sentasses.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Não te espero (Natal)



O cheiro do cabedal. Da pele. De mil perfumes de mil criadores diferentes. A textura da seda. Da caxemira. O som de centenas de milhares de revelações musicais e as imagens de milhões de novas séries e filmes. O sabor de chocolates vários. De todas as frutas cristalizadas. Açúcar e doce de ovos que, sôfrego, consumo até vomitar. O meu Natal não é isto. Isto é tão pouco. Podia-te falar no sentido do Natal mas seria uma conversa "cliché" e contigo cada conversa deve ser única. Como o és para mim. O meu Natal é o aroma da tua pele. O calor do teu corpo junto ao meu. O meu Natal tem a clareza dos teus olhos e o som da tua voz quando, a meio de um abraço apertado, me dizes: "adoro-te". Tem o sabor dos nossos beijos. Das aventuras culinárias com que me surpreendes. Da cumplicidade dos jantares a dois. Da cumplicidade a dois nos jantares com muitos. Desço a Baixa e escuto o som das novas tendências. Aqui e ali algumas músicas de Natal e percebo que o meu Natal tem um som diferente. Aquele som simples. Pequenino. Do telefone que toca quando me ligas de manhã, à tarde, à noite e sempre.

(Imagem: "Embrace", de Steven Jay Carter)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Sob o mesmo lençol


Disse-te que não. Hoje durmo em minha casa. Subi a colina conduzindo contra o cansaço. O motor fez o seu papel e o carro não abrandou. Os meus olhos sim. Vacilaram. Mas mantiveram-se abertos o tempo suficiente para me levarem até à cama. Alimentados pelos ecos das palavras trocadas. Pela tristeza do que nos dissémos. Dormi sozinho. A imaginar-te. A dormires também sob um lençol de solidão. Sei-te tão bem. Esta manhã acordas depois de espantares a preguiça e a gata ainda ensonada. Bebes a tua caneca de leite e comes uma tosta de queijo. Ou se calhar optas pelos cereais que comprámos ontem. Sais de casa e de imediato recebes o beijo do sol imenso que se estira na parede branca. Nas lajes alvas do terraço que se expõem para que as pises. Entras no carro e ligas o rádio. Nos estúdios de uma rádio qualquer alguém pôs a tocar a música que ouves. Sem saber que a pôs a tocar só para ti. E tu, indiferente também, entras em Lisboa. O azul do céu reflete-se nos teus olhos claros. De uma clareza que espelha a tua inocência. A tua fragilidade. "Quero cuidar de ti" disse-te eu numa noite destas. "Quero cuidar de ti" repito-o hoje, enquanto estacionas e te preparas para mais um dia. Depois de termos dormido longe. Sob o mesmo lençol de solidão.

(Fotografia por Luís Rodrigues)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Fazes-me falta


Fecho a porta do carro e caminho em direcção ao centro da vila. Ainda falta hora e meia para o julgamento. Frio. A pele arrepia-se. Os passos são rápidos. A areia comprime-se sob a sola dos sapatos. A entrada. A voz de Amália que se propaga lá de dentro. Um café e uma torrada, por favor. Olhares curiosos e uma mesa ao canto do café. Vistos os últimos pormenores do processo, olho para ele. Tiro-o da pasta. A hora que ainda falta chega para o terminar de ler.

"Depressa. A rapariga deixa os livros cair na estrada e o autocarro não terá tempo de travar antes que ela os apanhe. Depressa - lança-te sobre ela. Desta vez vais poder salvar alguém (...). Vem, não tenhas medo, lança-te sobre essa menina que te sorri como eu e salva-a. Estou à tua espera num sítio onde as palavras já não magoam, não ferem, não sobram nem faltam. Esse sítio existe." (Fazes-me Falta, Inês Pedrosa)

Arrepio. De letras. Fazem-me estremecer. Eu também espero. Achas que algum dia vais voltar? Não sei. Mas espero. Enquanto me levanto e sigo. Para mais um julgamento.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Belle Époque


O vinho jorrava das pipas e eles desciam as ruas. Corriam e sonhavam. De mãos dadas penetravam as pétreas entranhas da cidade e perdiam-se nas suas vísceras. Jantavam num recanto na ribeira. Embalados pelo murmúrio do rio que ensinava aos rabelos a sua dança. Uns dias o sol beijava-lhes os dentes alvos que se exibiam em sorrisos de felicidade escandalosa. Noutros a chuva fustigava-lhes a pele, servindo de pretexto para se abraçarem mais debaixo do chapéu. Trocavam sonhos e cumplicidades com exilados em cafés imperiais. As gentes do Norte abriram-lhes os seus braços e com elas jantaram, beberam, comeram. Com elas riram e dançaram. Numa alegria ébria. Louca. Eram deuses. Reis e imperadores. Cobertos pelo manto de Selene. Entregavam-se entre beijos. Lábios e dentes. Mãos que se apertam. Corpos que estremecem. Por baixo da varanda o gemido. O Douro que gritava. Ali na foz. Onde tocava o mar e se deixava penetrar pelo impulso das suas ondas. Águas revoltas. Lençóis revoltos. Simbiose de corpos e marés. Ali. De onde partiram. Deixando o vinho a jorrar das pipas.

(Fotografia por Luís Rodrigues, 02/12/2006)

terça-feira, dezembro 05, 2006

Il Postino

A poesia... em filme

O meu filme preferido... as imagens falam por si.


Post dedicado a todos os que saboreiam a vida com o tempero da poesia, em especial a duas amigas: uma que conheço há muito e com quem cultivei o gosto pela poesia (éramos crianças quando vimos juntos o filme pela primeira vez) - a Cristina - e outra que não conheço pessoalmente mas que não posso chamar de outra coisa sem ser amiga - a Ana Prado - que me mostrou, sem saber, como a ténue luz da poesia nos ajuda a enfrentar a escuridão que por vezes nos cobre o caminho.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Um verdadeiro naco de sentimentalismo piegas e confessionalista sem qualquer qualidade literária


- Isto estão tão bom. Mas não me parece muito bem comer a francesinha toda: vai ser cá um contributo para aumentar a barriga.

- Barriga? Tu não tens barriga Luís.

- O quê? Deves estar a brincar comigo!

- Eu não vejo barriga nenhuma.

- Então tens que olhar melhor!

- É normal: não dizem que o amor é cego?

(Esforço. Muito. Para não me engasgar)

Air - Bach