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sexta-feira, março 28, 2008

Embalo (me)




Sempre que sinto o medo sou acometido de um desespero concomitante por agarrar-me a algo que me segure, que me erga acima do mal. E ao que é que um homem como eu se pode agarrar? A pouco, diria eu... Sou de uma estirpe de esperança, de peito aberto, de mulheres que erguem castelos com as suas mãos e de argonautas que navegam por horizontes onde os oceanos já não chegam. E mesmo assim tenho medo. Equipo-me com as armas que herdei deles mas não consigo deixar de me sentir ridículo: são uma couraça demasiado pesada para uns ombros habituados ao refúgio e aos esconderijos. E, no entanto, se não for a este legado, a que me hei-de eu agarrar? Durante muito tempo agarrei-me a ti e a tua imagem enchia-me o coração de dor e eu besuntava-me inebriado nessa mesma dor, radiante pelos tormentos que afastavam o estio. Mas agora a tua imagem definha, desvanece-se, soprada em cinzas pelas horas dos dias dos meses que se derramam sobre mim em catadupa. E eu não tenho nada e não sei onde me agarrar. E sinto que já não existem leis boas que protejam os homens bons. Porque a ninguém deveria ser permitido adormecer com medo.


(imagem: "Peur", por Guido Maus)

sábado, março 22, 2008

cornucópia


Deram-me prendas e deram-me beijos. Lavaram-me o corpo e o cabelo e ensinaram-me a fazer a barba. Deram-me amor e deram-me viagens. Deram-me o mundo. Fé, roupas bonitas e lençóis macios. Deram-me risos e emoção. Por vezes água de sal nos olhos e por vezes abraços. Deram-me livros, música e saber. Deram-me palmas e bebidas. Sabores, afectos e cento e uma madrugadas. Deram-me tudo e já não há nada que não tenha. Dêem-me a partida.

segunda-feira, março 17, 2008

Tudo tão certo


Um café quente é a única salvação para o espírito quando esta cidade se veste de chuva. Diz-se que a globalização veio trazer uma hibridação da sociedade, resultante das mais diversas influências económicas, políticas e culturais. Pois eu até nem me importo de ser híbrido, desde que não me hibridem o café... quero-o como sempre: negro, forte, portador de mil segredos dos mais distantes continentes que se fundem com o meu paladar e que adquirem aquela inefabilidade quando tocados pelos segredos da tua boca. Pago o café com uma moeda que deposito neste balcão centenário de madeira e tudo parece tão certo. Até as ruas traiçoeiras e escorregadias ou os pombos encolhidos debaixo dos beirais. Até o desprezo de mil passantes, autocarros e eléctricos. Até a ausência da tua boca.


Imagem: "Les Boulevards", de Jean Beraud

sexta-feira, março 14, 2008

Esperas por mim?


Era um menino tonto que nunca soube muito bem o que fazer ou para onde ir. Naquela noite, enquanto caminhava na Rua da Junqueira, viu os carris do eléctrico. Continuou a caminhar pelo passeio, numa vida paralela àqueles trilhos. A rua era tão longa e o céu estava tão escuro... uma pele negra que se lhe grudava e o fez sentir a noite mais noite de todas as noites. E a lua branca mas lá tão longe (avó, gostava tanto de abraçar a lua). Percebeu que naquela noite tão noite só ele caminhava naquele passeio (quem mais caminharia sozinho assim pela noite?) e que entre pedras, betão e um rio que não conseguia ver, nunca soube se o caminho afinal seria o seu. Apenas os carris. Nenhum eléctrico que o levasse. E os carris brilhando na noite. Uma lua reflectida nos trilhos metálicos. Avó eu não posso abraçar a lua. Mas hoje vou deixar o passeio e caminhar sobre ela. Nestes carris cheios de luz.

sexta-feira, março 07, 2008

E por fim...


Tranquei a porta e a fechadura gemeu a segurança de mais uma noite sem precalços. A última. Segui para o quarto e encostei-me à ombreira da porta, distraído pela velha colcha que se fazia branca de luar: optei por deixar as portadas da janela abertas aos sonhos, à saudade e aos entes etéreos que me pudessem vir abraçar... Esta noite vou dormir no chão. As suas tábuas emanam um calor que me envolve e a casa despede-se de mim através das recordações expiradas pelo soalho. Encostada à parede oposta está a mala já preparada para o amanhã e é para ela que olharei durante a noite quando a incerteza não me deixar cerrar os olhos. Como naquela noite em que olhei para as tuas entre as névoas da partida que se avizinhava. As mesmas que vi pela última vez na entrada (ou seria a saída?) quando também tu fechaste a porta desta casa. Onde fomos dois passei a ser um. Eu e uma pilha de livros, papéis, e velhas músicas. Tantas noites e apenas esta noite. A última.

Air - Bach