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quinta-feira, maio 29, 2008

ut amem




Num dia qualquer na puta desta cidade que não cessa de me corroer a pele




Escrevo-te para te gritar aquele "amo-te" que sufocaste há tantos anos atrás. Grito-to hoje não porque ainda te ame, mas porque é a lembrança do que senti que me mantém vivo. São os teus cabelos negros que me correm nas veias e o teu sorriso alvo morde-me a memória. As tuas mãos rasgam-me os olhos e os dedos vasculham-me as órbitas em busca de lágrimas. Não há nada de ti que eu conheça agora. Mas o que conheci então é o meu presente e desenha o caminho do meu futuro. Sonho-te todos os dias e esse sonho é o soro que me nutre o viver. E assim, dormente, sou.




Não voltes.


(imagem: "O Beijo", de Picasso)


segunda-feira, maio 19, 2008

Sequência


As folhas sucedem-se no scanner: cópias da escritura que ficou de seguir hoje por e-mail para o cliente. Nenhum ruído para além da máquina. Olho para a agenda e verifico o que ainda falta fazer hoje. Mais duas reuniões e uns quantos contratos para concluir. Lá fora os homens caminham. Compram casas, constituem sociedades, casam-se. Têm acidentes de automóveis, arranjam empregos, divorciam-se e vendem a retalho. As ondas continuam a derramar-se no areal umas a seguir às outras, as campainhas da escola tocam à hora da entrada e da saída. O sinal vermelho segue-se ao sinal amarelo que, por sua vez, foi antecedido pelo verde. Pêlos negros rasgam-me a cara depois de terem sido desbastados outra vez esta manhã e no domingo tocará de novo o sino a anunciar a missa das 11h. Levanto-me para fora desta sequência. Desço à rua e bebo um café.
(imagem: "Terrasse de café à la nuit", Vincent Van Gogh)

terça-feira, maio 06, 2008

quia amo


São oito da noite e tu não chegas. Continuo sentado à beira-rio enquanto lá em cima, na vila, a cal se despede do sol que só voltará amanhã. O ar tépido beija-me a pele e o silêncio veste-se das pequenas intermitências de uma rã que salta para o rio ou de dois patos que recolhem à margem. São anos de cartas que trago na mão embrulhadas por um cordel velho. Eu, que quis gritar a liberdade, prendo agora a minha vida com um cordel... Uma das cegonhas desce do cimo da torre e paira sobre o rio, voando rente à água e cruzando-me a vista por duas vezes. A tarde cheira a feno e a águas mansas. Tu não chegas e eu começo a temer que não me dês a oportunidade de te oferecer a minha vida assim, amarrada com um cordel. É feita de papéis amarelecidos mas escritos com tanto amor. O Guadiana sopra baixinho murmúrios de amores passados e a tarde abraça-me com ternura. Não sei se vens. Também não sei se te devo entregar estas cartas. A quem interessam as epístolas de um advogado de 26 anos? Levanto-me e deixo que o sol se recolha no Guadiana em privacidade. O meu corpo é demasiado profano para aqui continuar presente. Se chegares já não me encontrarás. E se não me encontrares é porque já chegaste tarde. As cartas ficam. Não esperam por ti sentadas à beira-rio. Antes se dissolvem nas águas mansas entre farrapos do crepúsculo.
(Fotografia: Luís Rodrigues)

Air - Bach