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quinta-feira, novembro 26, 2009

Dezoito horas (e um café)


Sentei-me aqui no café, sozinho, a ver o dia entardecer num crepúsculo desfeito em água. Tenho duas chamadas do Bruno e uma mensagem com um convite da Cristina para jantar. Presentes e preocupados, como sempre. Um afecto que hoje não quero porque apenas tu poderás apagar a melancolia destas dezoito horas com o teu sorriso. E as feridas deste cansaço que me tomba apenas tu as poderás lavar. E para isso basta que venhas. Sei que chove e estás longe. Que tens que ir para casa. Mas arde ainda em mim uma última brasa de esperança que teima em pintar com a sua luz ténue os teus gestos e a tua voz, quando chegares. Aperto a chávena com o café entre as mãos, pressionando o destino para que nos arremesse um contra o outro nesta tarde, como noutras. E com uma garfada, arrebato o último pedaço da fatia de um bolo de iogurte que não me torna mais doce a espera. Dezoito horas e quinze minutos e talvez estejas neste momento a descer um pé do altar das tuas necessidades e preocupações para me resgatares desta mesa que me enquadra numa solidão que não quero e não mereço. Talvez faças o esforço supremo de me estenderes os teus braços. O som das moedas no balcão canta a despedida dos últimos clientes. Dezoito horas e trinta minutos e todo eu sou um dique imenso que se esforça por conter um pranto pela tua ausência, tentando não macular esta água com o sal da saudade. Dezanove horas. Peço a conta e olho a chávena, já fria e com um resto de café, que ornamentou a mesa do meu entardecer. É tão amargo o último trago.


(Pintura: "Still life with coffee cup and spoon", Jos Van Riswick)

quarta-feira, novembro 18, 2009

And so came tenderness


Hoje sou uno com a chávena de chá quente que me deixa morno o sentir. Aqueço-me também com a manta. E contigo. Quando estamos assim não há mundo nem telefones, nem mensagens, nem computadores. Só eu. E tu. E um calor que nos funde o entendimento.


(fotografia: "Les amoureux", Robert Doisneau)

quinta-feira, novembro 12, 2009

My misfit sunset


Entro no carro e rodo a chave da ignição, à beira de vomitar este grito surdo que me sufoca. Os homens também choram e isso já não me mete medo ou provoca pudor, mas não consigo ter para comigo próprio a obra de misericórdia de concessão de uma lágrima. Não as há. Todo eu sou um imenso nada. Os risos, as camisas engomadas ou os toques de cristal dos copos repletos de vinho são papel berrante que apenas embrulha o vazio que é este ser que me angustia. E já não te culpo, porque é até o tudo que foste se desfez em nada. Que, depois do amor e depois da mágoa e depois da força e depois da melancolia, foi tudo o que ficou. Dir-me-ás que não há uma relação de causalidade adequada, mas isso agora não importa porque nem toda a argumentação e construção de uma tese conseguiria preencher o vazio que são os meus dias. Nem este novo corpo que beijo e abraço e com me deito. Nem os nossos planos para o futuro ou o sol que, cheio de ternura, traça desenhos nas nuvens rosadas paridas pelo entardecer. Consumo-me, no meio de todo o nada, pelo desejo de um tudo. Concreto. Conduzo o carro para fora do parque. Montgomery e Marilyn riem-se, entre um cigarro partilhado. Gritam-me do passado que só matam o vazio aqueles que têm a ventura de desposar a morte.


(Fotografia: "John Huston, Marilyn Monroe, Montgomery Clift e Arthur Miller no cenário de "The Misfits", por Bruce Davidson, 1960)


Air - Bach