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segunda-feira, outubro 27, 2008

Bilhete


A carta está escrita e concluída, encerrada dentro da gaveta. Os motores do avião já começaram a trabalhar e acabaste de apertar o cinto, enquanto seguias com o olhar a hospedeira que atravessava o corredor com passo acelerado. O copo está a meio, reluzindo debaixo do candeeiro do balcão. A cabeça dói-me, confusa, e os olhos ardem-me de incertezas. A carta permanece dobrada em três. Dentro da gaveta. São 19h00. O teu avião despede-se de Lisboa e eu sei neste preciso momento que sou imortal e que a vida é para sempre e que para sempre o teu avião há-de partir de Lisboa. O miúdo brinca à beira do passeio e eu passo sem me deter. Empurro-o com um pontapé, atravesso-o ou desvio-me. Ignoro-o. Ignora-me. Não há miúdo nem há Lisboa. Nem aviões, nem cartas nem gavetas nem substantivos estéreis que me secam os lábios. Rasgo-os a todos e sigo imaterial. Rasgo-me a mim. O mundo resume-se a um aeroporto vazio.


(imagem: "Flying High", Joyce Brown)

quinta-feira, outubro 09, 2008

Fatalizo-me


O mundo escreveu-me uma história no corpo. Uma história que ora explode em mil sóis quando a estendo numa tarde de Verão ora me comprime nos crepúsculos da porta acabada de fechar quando sais do alcance do meu tacto. Uma história que se transforma num entardecer daqueles que arranham a alma mas que também me empurra por caminhos feéricos, história de mil encantos onde os beijos ainda sabem a sal. Escreveu-a e eu leio-a nos meus gestos e sonhos, como se a sua leitura fosse a confirmação de que ela existe e se há-de cumprir até ao último ponto da última frase do último capítulo. E quer eu a sacuda com convulsões a meio de gargalhadas que fazem voar mil pombos ou a cubra com a espuma de ondas choradas nas praias da minha carne a história será sempre lida. Porque se não se cumprir no corpo em que foi gravada já não me reconhecerei nenhuma utilidade.
(Fotografia por G. Montagna)

domingo, outubro 05, 2008

Um tiro (ou a ânsia pelo primeiro dia de aulas)


Ele disparou quando não devia. O primeiro tiro garantia-lhe a auto-defesa, mas o segundo... Requerimentos, diligências, interrogatórios, reuniões e telefonemas. O último antes de ontem: "Vai tudo correr bem, não vai Dr.?" Vai sim, com certeza. Uma segurança aparente saída de um homem que não sou eu. Um homem com a barba aparada. Fato preto, camisa branca, gravata vermelha e botões de punho de ouro branco. Esse homem garante-lhe que vai tudo correr pelo melhor e que o Juíz reconhecerá a existência de perigo para a sua vida na altura dos disparos. Agora tem que ter calma, digo-lhe enquanto desligo o telefone. Com uma certeza e seguranças que não são minhas... que eu não sou esse homem. Eu ainda estou algures naquele olival, a correr entre as árvores sem preocupações. Ansioso pelo começo desse novo mundo que é a escola.

Air - Bach