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quarta-feira, novembro 29, 2006

Nessa jarra (tão longe)


Uma resposta tão simples. "Acho que nunca recebi flores." Sorrio e aproximo-me de ti. Simplicidade que me desarma. E beijo-te. A rosa repousa na jarra. Naquela sala. Em tua casa. Essa casa tão longe desta rua por onde agora desço. À minha direita a florista exibe uma mescla de cores e pétalas. Aromas. Para a próxima será uma tulipa. Será entregue entre beijos e repousará nessa mesma jarra onde em tempos repousou uma rosa branca. Onde agora repousam rosas vermelhas. Dessa jarra escutará a música suave que pões a tocar enquanto preparas o jantar. Escutará a tua voz meiga nas conversas diárias. Observar-te-á ao passares pelo corredor quando sais do banho. Enquanto secas o cabelo com a toalha. Na mais perfeita devoção há-de contemplar esses olhos claros. Meigos. Que repousarão nela quando lhe mudares água. Por enquanto a tulipa fica. No meio de tantas outras. Nesta florista no centro da cidade louca onde não há tempo para flores. Fica e aguarda. A altura em que há-de repousar nessa jarra. Nessa casa. Tão longe da rua que agora desço.

(Fotografia por Maria Salvador, em www.olhares.com)

sábado, novembro 25, 2006

Que sorriso é esse meu cabrão?


... perguntas-me tu, com o teu jeito irreverente de sempre. Olha, sorrio por todos os motivos e por nenhum em especial. "Esse sorrisinho não tem nada a ver com o facto de teres que vir trabalhar hoje, calculo." Bem, se queres que te diga, vinha no carro a conduzir com os vidros abertos e a pensar na manhã radiosa de sábado que se estendia à minha frente. O facto de o trabalho me forçar a vir hoje ao escritório não me incomodou nada. É que a minha vida é perfeita harmonia. E o trabalho integra essa harmonia. Como é que posso não sorrir? Recebi aquela proposta com que nunca ousaria sonhar com esta idade. As consultas médicas revelam que a saúde está boa e recomenda-se. A família é o eterno suporte de afecto e partilha. Há pouco mais de um mês que descobri aquela alma que faz a minha tremer. Fervilhar. E estou feliz. É isso. Em suma, estou feliz. E sorrio. Com medo dos deuses que castigam os mortais cuja felicidade ofende a própria ideia de mortalidade. Mas sorrio. Mesmo assim.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Entre alegações

Sobressalto. O toque do despertador que me rasga o sono. Empurra-me para a realidade dos homens. Raspo a pele com uma lâmina. O resultado é uma barba feita. Ou desfeita. O leite fresco num copo. Sorvo-o de um trago. Lanço mãos aos papéis que vão marcar o compasso do dia enquanto me apresso a ajeitar o nó da gravata e corro em busca do casaco. Desço a rua em direcção ao carro e as árvores sorriem-me. Correm. Pessoas. Carros. Autocarros. Entro no carro. Lanço os papéis para cima do banco e atiro com a pasta para o chão. Recapitulo a história do julgamento. Falta pouco. Organizo mentalmente as alegações. Factos, datas, depoimentos, documentos a juntar. Pequeno-almoço. Tu de novo. Entre as minhas alegações. Presença serena. Terna. Entre as minhas alegações. Claro que vou tomar um pequeno-almoço completo. Não te preocupes. Vês? Lembrei-me. Hoje vou sentar-me e comer como deve ser. Quando acabar de correr. Antes do julgamento.

terça-feira, novembro 21, 2006

café de domingo... café de beijos...


Esquece. E fica. Assim. Aqui comigo. Os teus pés acompanham os meus. À nossa volta há um domingo cinzento. Uma cozinha com loiça para lavar. Uma mesa para arrumar. Passos para dar na rua em direcção a um café. Não. Vamos dá-los juntos. Ao som deste acordeão. Desta voz quente. Fecha os olhos. Reconheces o ritmo? É Paris. Vamos dá-los nesta sala que já não é. Que é um café. Em Paris. "Une valse a trois temps". Os pratos já lá não estão. A melancolia esfuma-se. O mundo deixa de existir. Somos tu e eu. Nesta valsa a três tempos. Movidos pelo acordeão. O domingo burguês não existe. Nem as conversas de ocasião. O nosso domingo cinzento é um sábado à tarde. As visitas de rotina são a nós mesmos. Hoje esquecemos a famíla. Os amigos. Entrega. Dois corpos num. Não há pessoas a visitar. Só nos dois. O café não vai ser tomado entre rostos tristes. Vai sê-lo aqui em casa. Aroma a café de beijos. Uma mão vai segurar a chávena quente. A outra o teu corpo. Ao som de uma valsa a três tempos. Rodeados por pratos que dançam. Torneiras que jorram. Lençóis que se enrolam. Toques de telefone. E o acórdeão. E o aroma. Do nosso café.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Manias (a pedido da Maria)

Chegou a esta praia um pedido soprado por uma brisa de Maio. Não tenho nenhum prazer particular em revelar cinco manias minhas, mas dada a proveniência do pedido não tenho como recusar :)

Por isso aqui ficam cinco manias minhas:

1) Rir alto (muito alto mesmo);

2) "Fugir" de Lisboa um fim-de-semana por mês (sozinho ou acompanhado);

3) Ler sempre antes de ir dormir (nem que seja uma página);

4) Conduzir a ouvir música aos altos berros com os vidros abertos;

5) Não desfazer os nós das gravatas (assim já estão feitos quando voltar a precisar delas... conversa de desleixado, não é?).

Creio que está tudo. Ganhei o jogo?

quinta-feira, novembro 09, 2006

As Horas



16h30 - Concordaste. Vamos ver a ante-estreia da peça com os bilhetes que ela me arranjou. Vou-te buscar às 20h45 a casa para seguirmos juntos para o teatro. Ok. Depois vamos à tal festa na "Loft". Não quero que desperdices as entradas. Devo estar louco. Discoteca numa quarta-feira.

20h00 - Reunião urgente. Há que fazer o procedimento disciplinar para despedir o porteiro de um bar de alterne. A inquirição de testemunhas tem que ser feita hoje e as "meninas" só podem durante o horário de laboração. Ok. Vais lá comigo depois do teatro e depois seguimos para a festa.

20h30 - Nunca vou conseguir estar à tua porta a tempo. Podes ir ter ao teatro. Não tenho roupa para ir para a Loft e não tenho tempo de ir a casa tirar o fato, camisa e gravata. Uma corrida ao Saldanha. T-Shirt preta numa loja no "Atrium". Com fato cinzento. Ar de chulo. E este táxi que não voa. Que vai vagueando até ao teatro.

21h30 - Desculpa o atraso. "Estás com um ar tão cómico. Alucinado." Eu sei. E o calor dentro desta sala. As emoções. A impressão que me faz a dor deles. O desespero. E a dor física dela. Violada. Acabou e no meio disto tudo nem jantei. Já não vou jantar hoje.

23h30 - As inquirições. Depoimentos entre shows de strip. Sotaques brasileiros. Corpos eslavos. Música. Testemunhas sentadas. Envergam vestidos de renda que apenas servem para salientar a lingerie. Para expôr carne. E mágoa. "Esta é uma das noites mais surreais da minha vida." Eu disse-te que ia ser uma noite diferente.

02h00 - "Loft". Tiro o casaco. Está abafado. Não acredito na ousadia. Consigo mesmo andar em público assim vestido. Outro copo. "If you wanna be rich you gotta be a bitch." E eu danço. Salto. Olhos fechados. O corpo entrega-se. A música. O fumo que se insinua. O cheiro a tabaco. As batidas fortes. Loucura. Amanhã tenho que acordar às 7h. Reunião às 8h30.

04h30 - O eco. Passos no passeio. A caminho de casa. Sombra incrédula. Conseguirá acordar a tempo da reunião? Continua negra. Caminhando. Sob a lua. Vai-se desvanecer num quarto com luzes apagadas. Para um sono de duas horas.

quarta-feira, novembro 08, 2006

castelo dos tempos


"Life goes easy on me most of the times." A música continua a tocar. Tu canta-la baixinho enquanto conduzo. "Quero ouvi-la outra vez." Sorrio. Claro. Porque não? Avistamos o castelo e sigo pela estrada que leva até ao parque. Oxalá não chova. Paro o carro e saímos. É terça-feira mas veio muita gente ao festival. O chocolate. A ginga. O castelo. E nós? Nós só queremos vaguear pelas ruas e descansar. Ir de Lisboa a Leiria para uma audiência que não se realizou merece um momento de relaxamento. Tentativa de afastar a frustação com mais um processo que já não se conclui este ano. Subimos as ruelas empedradas e entramos numa tasquinha. Uma ginja para mim e uma imperial para ti. Nunca me vou habituar ao facto de beberes imperial. O meu preconceito fala mais alto. Senhoras não pedem imperial. Tu pedes. E ainda bem. Permites-me avaliar o meu preconceito. Bebo a minha ginja e falo-te da vida. Falamo-nos da vida. E a vida fala-nos de nós através da nossa história. "Life goes easy on me". Sim. Por vezes. Aos dois. Num castelo perdido. A meio de uma semana de trabalho.

(Imagem: "Conversation in the park" por Leon Washington)

quinta-feira, novembro 02, 2006

Tão concreto

O meu mundo é concreto. Vejo. Sinto-o. Concretiza-se na chuva que me molha enquanto caminho para o escritório. Nos papéis que seguro. Brancos receptáculos de palavras que me dão instruções, decisões, pedidos. Que me dizem que hoje não vou conseguir despachar-me a tempo de jantar contigo. O meu mundo é concreto nas palavras que escuto. As que são utilizadas para me responder às perguntas que faço. As que são vomitadas entre gargalhadas numa festa. As que me ferem envolvidas em mansas hipocrisias. O meu mundo concretiza-se no cheiro a café e a tabaco que se insinua pela manhã enquanto como um pastel de nata e bebo um galão. Concretiza-se no calor do copo que seguro entre as mãos. No sabor da massa folhada misturada com o creme. O meu mundo é tão concreto. Nas riscas azuis e brancas da gravata. Nos dossiers vermelhos expostos em prateleiras nas paredes brancas. Este mundo pequeno de pessoas pequenas. Que se dilui. Desvanece-se. Quando fecho a porta trás de mim. E me estendes os teus braços. O que é ele comparado com a imensidão do teu abraço?

Air - Bach