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terça-feira, junho 24, 2008

Quando?


Escurece e eu corro para o carro. Pode ser que chegue a casa ainda com a luz do entardecer. A escuridão ameaça abater-se sobre a cidade consumindo prédios, estradas e transeuntes. O vento fresco deste final de tarde arrefece-me a pele acostumada ao sopro quente do verão, os jacarandás choram lágrimas púrpuras e eu, homem regressado a rapaz pequeno, enrolo-me no carro com medo da noite. E como não há medo que a impeça sei que ela chegará e me vestirá de negro, que me soprará saudades rasgadas do fundo de um tempo que nunca deveria ter vivido e que dispersará todas as bem-aventuranças que seguro entre estas duas mãos outra vez tão pequenas. Os candeeiros murmuram melancolias eléctricas e entro no bar de sempre. Um martini para afagar a solidão que será sempre a minha companheira de copos. Um choro contido. Logo hoje que acordei e soube que ia ser feliz.


(imagem: "Auto-retrato", por Karabchievsky)

terça-feira, junho 17, 2008

suor


Com o regresso do sol voltou o hábito de sentir Lisboa entardecer com um Martini à frente. "Rosso", com duas pedras. Os cacilheiros agitam-se numa tentativa desesperada de mostrar que a vida não é um sonho e que os homens e mulheres escolhidos para a viver têm que trabalhar, suar e extrair dos seus braços grandes projectos durante muito tempo imaginados. Chamam-me tonto, sabes? Mas a verdade é que eu nem sei se quero que algo saia dos meus braços. Um último trago e desço a rua em direcção à paragem do eléctrico. Dois homens empurram-me para a realidade e acabo por me aconchegar sozinho num banco de madeira enquanto sou sacudido pela frágil carruagem amarela. Janela aberta e um grito de Lisboa. Um grito que me rasga a carne do rosto e me marca de saudades e melancolia. O sol espalhou-se sobre as paredes amarelas do Terreiro do Paço e os edifícios não conseguem desgrudar esta película fulgente para poderem enfim receber a lua com a solenidade crepuscular que lhe é devida. Devia apertar a campainha do eléctrico e avisar os homens para trazerem escadotes, vassouras, esfregonas e diluente. Que ninguém consegue tirar o sol das paredes e que a lua assim não virá aconchegar as mantas à cidade adormecida. Que têm que suar um pouco mais e esfregar com força até a luz se desentranhar das casas. Até esta melancolia se desentranhar de mim.

segunda-feira, junho 09, 2008

E sempre




Por vezes o beijo era a presença. Noutras alturas bastava sentirem o corpo do outro ali estendido a seu lado entregue a uma qualquer leitura. Por vezes um abraço. Por vezes o frémito do sexo. Havia ainda momentos em que era suficiente o encontro dos olhares numa qualquer festa em casa de amigos. Até mesmo a doçura dos seus nomes pronunciados. E sempre, em todos os momentos, a certeza de que era assim que estava certo.




(Hyde Park, 2007, fotografia por Luís Rodrigues)

Air - Bach