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sábado, fevereiro 23, 2008

Só para dizer...

Há qualquer coisa de mágico no verbo. O lido e o escrito. É um prazer inefável passar toda uma tarde entregue à leitura. É igualmente sedutora a ideia da escrita pela noite dentro. Seja de uma contestação, de um requerimento ou simplesmente de mais um desabafo. E assim, enquanto lá fora as ruas se cobrem de chuva, cá dentro as folhas cobrem-se de letras e o coração sente-se aconchegado...

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Sei (te)


Há noites em que a noite custa a passar. Abro a janela para ver se fujo ao peso do silêncio do que já não é mas o vento fere-me com uivos de histórias distantes. Os dias passam mas já não existe vida pois a vida sem o teu cheiro sempre me soube a morte. A vida ficou lá fora, para lá desta janela e destes telhados. A vida parece ter seguido arrumada entre o teu casaco e os teus livros. Não preciso de escutar os pormenores que este vento teima em urrar para te ver. Aqui sentado à secretária sei-te a sair de casa ajeitando a imensa massa negra do teu cabelo. Vejo-te sorrir para o mendigo perto da paragem enquanto aguardas o autocarro. Vejo a tua presença arrebatadora enquanto conversas com as amigas à hora do almoço e sinto a violência da tua paixão ao telefone com aquele que não sou eu. Vejo-te a caminhar de regresso a casa, divagando pelas montras de mil lojas e sinto a fragilidade que te aperta o estômago. Os anos passam e tu ainda queres tanto para ti. Vejo-te e sei-te a dormir neste momento em que o vento me conta do creme que continuas a passar pelo rosto antes de te deitar. E eu? Deito-me também. Talvez reze a Esse Deus a quem sempre me entreguei em menino. Queria tanto que Ele me levasse para outro lado... Podia ser para uma daquelas casas onde a vida não se fica para além das janelas.
(imagem: "La dolce vita", de Anne Garney)

domingo, fevereiro 17, 2008

O teu bilhete (esquecido dentro de um manual de Obrigações)


"Sabes? Nunca percebi esses teus livros que têm sempre os mesmos textos. Esse Menezes Leitão que escreve sobre contratos e obrigações e esse Figueiredo Dias sobre crimes, agentes e negligência. Nunca percebi como é que esses senhores têm tempo para escrever tanto sobre os dias se os dias são, provavelmente, passados a escrever. Nunca percebi se eles chegam sequer a saber que acho um desperdício que os leias. Que prefiro ver esse teu olhar distante e sonhador que se faz madrugada de carmim quando estás sozinho com Lorca, Neruda ou Pessoa. Por isso espero que hoje não abras esse dossier que tens em cima da secretária. Hoje quero-te feito sopro junto de mim: pega na chave do carro e no saco de viagem que te deixei preparado em cima da cama. Estou à tua espera em Porto Côvo."


(imagem: "Books", de Shaun Fergusson)

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Toda a tua ausência

(Ao João)

Claro que não fui capaz. Alguma vez achaste que seria? A alma ainda tem demasiados vincos e o seu cheiro ainda é o do teu corpo. "Anima-te homem", incentiva o João no seu jeito alegre, enquanto me leva a um café onde poderemos conversar entre tragos arrancados às chávenas. Ele não sabe que já estive uma vez nesse café. Uma única vez, no dia em que te conheci. Entramos e eu insisto, num gesto de derradeira catarse, que nos sentemos na mesa de cadeiras altas lá no canto. A mesa onde nos sentámos. Sem perceber a minha fixação acede e permite-me que me sente na cadeira que entretanto escolhi. Foi assim naquela noite. Foi assim ainda há pouco. Sentámo-nos então e percebi que o local não tinha mudado muito. A mesa ainda lá continuava e as pessoas ainda se vestiam de aromas, beijos e conversas. Ainda havia o quotidiano, a paixão e a música. Ainda havia eu e ainda havia um sonho de ser feliz que a cada dia se vai tornando mais ténue porque o tempo come-me as forças e tu não as vens restaurar. Ainda havia Lisboa lá fora, com carros, prédios, cinemas e lojas. Ainda havia tudo, pensava o João, e só eu sabia o que faltava.

Air - Bach