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quinta-feira, maio 28, 2009

A incontrolável leveza do ser


Não se controlam as marés nem os ventos. A força das ondas, a brancura da espuma ou a intensidade de um abraço. Não se controlam o sonho, a audácia ou a vontade de partir. O impulso de uma gargalhada, o sémen, o grito, o vôo. E é uma perda de tempo enumerar todos os estes fenómenos porque nem o verbo os controla. O próprio verbo é, aliás, incontrolável. E na extravagância e no rasgo da incontrolabilidade crescemos e ousamos. Incontroláveis. E incontroláveis fenecemos.


(fotografia: Syoin Kajii, 2004)

terça-feira, maio 26, 2009

Cruzaram os céus e a noite


Ninguém me tira esta noite e a folha branca que se estende diante de mim. O fado que a rádio soluça é só meu, assim como a media luz que me veste o quarto. E nesta quietude de folhas brancas e espíritos solitários aguardo a primavera da flor dos teus lábios. Abro a janela e já não são as portadas que seguro, agarrado à esperança de que atravesses a noite num rasgo de loucura inusitada. Lá em baixo, os gansos dormem aninhados junto ao lago do jardim. Aves pequenas e monótonas que não ousam atravessar o Atlântico para te gritar o litoral das minhas saudades e roçar no teu corpo o sal da minha carne. Dentro do quarto de novo o branco. Das minhas folhas e da tua ausência. Do grito mudo das saudades. Não sei esperar, como os gansos que ficam...


(imagem: "The Frozen Puddle", por Martin Ridley)

quinta-feira, maio 21, 2009

(bom) Dia


Acordava todos os dias a estourar de felicidade. Era com um ímpeto arrebatador que abria as janelas e deixava o quarto inundar-se de sol. Fazia a barba com uma água gelada que o despertava até à última fibra do corpo, tomava o pequeno-almoço e vestia-se apressado. Descia as escadas e agradecia. O novo dia estava ali mesmo, nas suas mãos.


(Imagem: "Dance of Joy", por Mary McEwan)

segunda-feira, maio 18, 2009

Oceânico


Tens a imensidão do Sul no olhar e o sorriso de uma onda que se desfaz em espuma na imensidão do areal do teu rosto. O teu corpo cheira a mar e a tua voz encerra a solidão do canto das baleias nas noites tépidas do Pacífico. E eu fico assim, sereno. Quando me falas neste teu jeito, sussurrando maresias.


(Imagem: "Seascape", por Melissa Windham)

quarta-feira, maio 13, 2009

Do confessionalismo piegas

A minha avó ensinou-me a rezar e morreu. Deixou-me como herança uma lição de amor, que investi muitas vezes em fundos perdidos. Troquei a comunhão de que me falou pela comunhão dos corpos e deitei-me num sem número de camas. Chorei com o vazio. E quando já não havia mais nada lembrei-me dela. E quis que tudo voltasse a ser como antes.
("Minha Senhora das Dores", por Katia Guerrreiro e Bernardo Sassetti)

segunda-feira, maio 11, 2009

A arte da guerra


Chamou-me tonto por sorrir sempre. E acrescentou a sentença. Falta de maturidade que se reflecte numa visão perfeita de um mundo imperfeito. Senhor de mim, ignoro-lhe a voz. Claro que é tudo perfeito. Insisto nesta afirmação pondo fim à discussão. A vida é doce. E eu sorrio. Sorrio sempre. E até sorri esta manhã. Quando saíste de casa e me disseste que nunca mais voltas.


(Imagem: "Saying goodbye", por Kara Hendershot)

sábado, maio 09, 2009

Entrecampos Areeiro


"Há sempre um halo fúnebre de um ouro cego sobre a cabeça do ser amado, pelo menos nos primeiros tempos, contava ela. É o medo que temos de que ele não olhe para nós, que nos abandone de súbito ou que simplesmente se esfume nos céus estrangeiros de onde veio. Os amados nunca são mortais como nós. São deuses, heróis mitológicos, ou, no mínimo, génios. Nunca devemos esquecernos disto quando lhes escrevemos. É preciso ter cuidado no manejo do grau comparativo do adjectivo, que jamais deverá utilizar-se em relação a outros seres humanos."


(Inês Pedrosa, in "A Instrução dos Amantes")



(imagem: "Canada geese landing in marsh", por Clarence Stewart)

quinta-feira, maio 07, 2009

Desprendimento


Sem grandes pressas nem preocupações. Apenas uma toalha e uns calções, enquanto passo a mão pelo rosto e sinto a barba áspera, convicto de que ainda não é hoje que a sujeitarei ao aço. Solto. Dou-me ao sol e deixo-o lamber-me o corpo queimando-me cada músculo que lhe exponho. Ardem-me a carne e os sonhos. Estou perdido na história que eu mesmo escrevo e sem o auxílio de uma filologia que me alcance o conhecimento da semântica ou da síntaxe deste enredo que por vezes assume contornos tão absurdos. Sacudo a areia que se colou ao meu rosto e um ligeiro tremor percorre-me o dorso. Dou-me ao sol. Sem saber para onde ir quando a noite chegar.


(Imagem: "The other side of the sun", por Ginny Gaura)

quarta-feira, maio 06, 2009

E perceberam que conseguiam voar


Cada passo que damos afasta-nos do passado. Descobrimos o poder dos segundos, dos minutos e das horas, assim como dos metros e dos kilómetros. Calcorreamos presentes que se fazem pretéritos ao toque das nossas solas. E é incrível a força que isso nos dá.


(Imagem: "Beach Path", Nancy Poucer)

segunda-feira, maio 04, 2009

As razões da minha paixão


Numa postura racional sei que deveria apaixonar-me. As endorfinas são bem-vindas e as ondas parecem gritar mais alto quando estendemos uma paixão no areal, a nosso lado. Numa postura racional (a postulada em tempos idos) ensaiaria um sorriso sedutor e lançaria diversas incursões a inúmeros jantares. Brincaria com os olhares e com os corpos, em movimentos temperados pelo verbo. Numa postura racional sei que o Verão bronzeia mais quando a carne se expõe também à paixão.


Mas numa postura afectiva sei que não me apaixono. Não consigo.


E nem sei se me apetece.



(Imagem: "The Butler", por Jack Vettriano)

Air - Bach