Lala Salama
Acordo com o riso ululante de uma hiena. Lá fora a noite espessa, densa e húmida de áfrica. Negra e pesada. Aproximo-me da janela e sinto o adejar de asas de uma ave que tenta levantar vôo, chapinhando com as patas pelo lago. Antílopes deslizam para o mato e a lua rasga as nuvens num orgasmo níveo sobre a água. Gritos, piares, gemidos e rugidos. E toda uma vegetação que me esconde o movimento das bestas. Regresso para a cama, pequeno e só, na imensidão deste continente que me puxa para as suas entranhas. E não hesito neste holocausto de mim mesmo. Nesta noite, sob o céu africano. Enquanto dormes do meu lado. A continentes de distância.
Monte Quénia, 03/11/2010
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