O eterno devir
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Sento-me à beira da cama. O dia fez-se noite e confesso que começo a ter alguma dificuldade em sobreviver com esta impossibilidade de me agarrar a algo que me dê certezas e que não mude. Apenas esta força inesperada é constante. A que me faz continuar mesmo quando me apercebo que o teu "se isso for importante para ti" se transforma num "nem penses: já dei para esse peditório". Quando a sofreguidão por um café de 5 minutos passa a ser o telefonema apressado antes de adormecer. Creio que é a dita força me faz pensar que está mesmo tudo bem. Mesmo quando a ânsia por uma vida em comum se dilui numa existência separada, com laivos de "estamos bem assim". Nós que há apenas uns meses atrás queríamos terminar este "assim" o quanto antes. É uma força engraçada, meio tonta. Esgota-se em si mesma, para me fazer sorrir ao som de Offenbach no meio de Lisboa, com tantas pessoas à minha volta. Tão longe de ti. É, talvez, a minha força quem abraça as lágrimas e pinta desilusões. E é ainda, seguramente, quem me segura a teu lado, no meio desta espiral de mudanças. Cansa-se tanto, ela. Para me fazer esquecer o tanto que poderíamos ser. E ocultar o pouco em que nos vamos tornando.
(imagem: "root strenght", Kristin Gjerdset)