afélio

Saio a correr com o corpo apertado pela lembrança do teu abraço, ainda quente na minha pele. Atravesso paredes de chuva e salto entre poças que me encharcam até aos tornozelos, a caminho do carro, por baixo de um céu que se esmaga contra o meu corpo. Fecho a porta, rodo a chave e atravesso a noite. Já longe da lembrança cálida do teu toque e com o corpo arrepiado da água que, a pouco e pouco, me conquistou a carne, seguro o volante. A noite fez-se poesia.
(imagem: "Dark as night", Sarah Coleman)